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Noticia - Postado em 26/07/2014 13:19:59
COMUNICAÇÃO CIVIL na íntegra utilizada na audiência pública

 A importância do trabalho do turismólogo para o desenvolvimento do turismo no Brasil

À sociedade brasileira e especialmente aos turismólogos do Brasil,

Somos a força de trabalho mais qualificada em turismo no país com formação de nível superior, há 40 anos atuando em prol do desenvolvimento do turismo, desde que o PARECER Nº 35/1971,do Conselho Federal de Educação criou o curso de Turismo no Brasil e teve inicio nesse mesmo ano a primeira turma de bacharelado em Turismo na antiga Faculdade Anhembi Morumbi. O curso foi criado com objetivos de formar planejadores para área de Turismo.

Nessa trajetória histórica, o MEC, através da Câmara de Educação Superior, do Conselho Nacional de Educação publicou o Parecer Nº 146/2002, que estabeleceu Diretrizes Curriculares comuns e diretrizes curriculares específicas para os cursos de Direito, Ciências Econômicas, Administração, Ciências Contábeis, Turismo, Hotelaria, Secretariado Executivo, Música, Teatro e Design. E as diretrizes curriculares da graduação em turismo foram revistas e publicadas no Parecer Nº 0288/2003 e posteriormente, sendo a última revisão estabelecida na Resolução Nº 13/2006.

Quanto ao perfil desejado, o curso de graduação em Turismo oportuniza a formação de um profissional apto a atuar em mercados altamente competitivos e em constante transformação, cujas opções possuem um impacto profundo na vida social, econômica e no meio ambiente, exigindo uma formação ao mesmo tempo generalista, no sentido tanto do conhecimento geral, das ciências humanas, sociais, políticas e econômicas, como também de uma formação especializada, constituída de conhecimentos específicos, sobretudo nas áreas culturais, históricas, ambientais, antropológicas, com aptidão para pesquisa de Inventário do Patrimônio Histórico e Cultural, bem como o agenciamento, organização e gerenciamento de eventos e a administração do fluxo turístico. Além da importância na prevenção da saúde da coletividade, pois tem que entender e monitorar os fluxos migratórios turísticos e suas consequências epidemiológicas, e não somente a vigilância epidemiológica, mas a vigilância sanitária dos alimentos e bebidas e também a psicologia humana na área do entretenimento e lazer, relevante atenção para minimizar a frustração da motivação da escolha do deslocamento humano do consumidor ‘turista’. E principalmente na área patrimonial defender a proteção do patrimônio natural, histórico, cultural e imaterial das comunidades e territórios com potencialidades turísticas.

O curso de graduação em Turismo deve possibilitar a formação profissional que revele, pelo menos, as seguintes competências:

(aqui mencionadas as 19 competências das DCNs do Curso de Turismo)*

Esse conhecimento que o bacharel em turismo constrói suas competências profissionais deve prepará-lo para exercer as atividades que estão na Lei de Reconhecimento do Turismólogo nº 12.591/2012. Mas algumas dessas atividades também são pertinentes à formação do nível superior tecnológico. E eis aí uma das dificuldades na regulamentação da nossa lei, que também nos deixou acéfalos e sem definição. Afinal quem somos nós? Quem são os turismólogos?

É preciso entender que BACHAREL EM TURISMO é o Título Acadêmico pertencente ao egresso do curso de Bacharelado em Turismo. Já o TURISMÓLOGO deveria ser o Título Profissional, quando se denomina profissionalmente os graduados em nível superior em turismo, hotelaria, gastronomia e eventos, no Brasil ou no exterior com diploma reconhecido pelo Ministério da Educação e refletir o direito a essa titulação profissional aos graduados em outras áreas, que atuam no mercado turístico há mais de 5 (cinco) anos comprovadamente, desenvolvendo atividades previstas na Lei de Reconhecimento do Turismólogo.

Ressalto que o título de TURISMÓLOGO, foi criado pela ABBTUR Nacional, em 1999, para denominar profissionalmente os bacharéis em turismo, e posteriormente a Lei 10.457/2002 criou o Dia Nacional do Bacharel em Turismo que se comemora junto ao Dia Mundial do Turismo, criado pela OMT, em 27 de setembro. A ABBTUR também criou o Código de Ética do Bacharel em Turismo

Afinal existe uma linha muito tênue nas áreas de atuação do Bacharel em Turismo e os tecnólogos nas atividades do mercado turístico. São elas:

Agenciamento turístico: Agência de Viagens e Agências de Viagens e Turismo; Empresas de representações de serviços turísticos em geral; Agências segmentadas por produtos (Intercâmbio, Massa, Lazer, Corporativo, Turismo de Experiência, Ecoturismo, Aventura, etc);

Meios de Hospedagem: Hotéis, Resorts, Hotéis Fazenda, Pousadas, Cama e Café, Hotel Histórico, Pousadas, Flat/Apart Hotel, entre outras tipologias ainda não classificadas oficialmente como Hostels, Albergues da Juventude, SPAs, EcoHotéis, Lodges, Motéis, Timeshares, Pensões, Colônias de Férias, Hotel residence, Acampamentos de Férias, Campings, Hospedagens de Turismo Rural, hospedaria, estalagem, entre outros;

Transportes: Companhias Aéreas, Empresas de Transporte de Passageiros por fretamento de Turismo, Locadoras de automóveis, Empresa de Transporte Marítimo ou representantes das mesmas;

Eventos: Empresas organizadoras de eventos, Centro de Convenções, Gestão Pública e Privada; Centro de exposições e feiras comerciais e industriais, Bureau de eventos, Espaços de eventos em meios de hospedagens e centros culturais e em empresas que embora não seja diretamente de eventos possuem um departamento de eventos, Eventos esportivos, culturais, etc..

Entretenimento, recreação e lazer: Empresas de recreação, Centros Culturais, Casas de espetáculos e shows, Parques de Diversões (Temáticos, Entretenimento, Aquáticos e Parques de Animais;

Alimentos e bebidas: Restaurantes; Bares, cervejarias, cafés padarias, setor de Alimentos e Bebidas em Meios de Hospedagens, empresas de eventos, Buffets, Eventos sociais, serviços de A&B, Boites e demais prestadores de serviços de alimentos e bebidas;

Órgãos públicos do setor de turismo: Ministério de Turismo, EMBRATUR, Secretarias Estaduais de Turismo ou Órgão Oficial de Turismo Estadual, Secretarias ou Empresas Municipais de Turismo ou Órgão Oficial de Turismo Municipal;

Órgãos públicos ligados indiretamente ao turismo: Secretarias Estaduais ou Municipais de Cultura, Planejamento e do Meio Ambiente, Institutos de Pesquisas, etc

Organismos de representações diplomáticas: Consulados ou Embaixadas em atividades ligadas ao Turismo; Departamento de Turismo de Consulados e Embaixadas e Conselhos Internacionais de Turismo;

Empresas de Assessoria e Consultoria de turismo: Atuar na área de planejamento e organização do Turismo, inventários de localidades diversas, elaboração de planos, programas e projetos de Turismo, análise de estudos de viabilidade para implantação de novos empreendimentos turísticos, orientação para projetos de captação de investimentos para empreendimentos turísticos novos ou para manutenção, reformas, modernização;

ONGs – Organizações não governamentais

Entidades representativas do setor de turismo: ABAV, ABBTUR, ABEOC, ABIH, ABLA, ABREDI, ABRESI, AHT, AMT, BRAZTOA, SINDETUR - entre outras.

Empresas privadas e/ou públicas que embora não exerçam atividades diretas ligadas a turismo, exerçam atividades ligadas à área, tais como: departamentos de viagens, departamentos de lazer, etc.

Parques Nacionais e áreas de preservação: Planejamento de atividades de turismo, com recepção, informações, inventários, promoção, recreação, assessoria na abertura de trilhas, assessoria na visitação das áreas, divulgação da área, reservas e acompanhamento de visitas guiadas, formação e treinamento de monitores.

Imprensa especializada: Cadernos especializados de turismo, periódicos informativos voltados ao Turismo tais como: Caminhos da Terra, Viagem, Próxima viagem, Revistas de Bordo e outras.

Periódicos Acadêmicos;

Editoras que publicam ou traduzem obras de Turismo;

No Magistério, atuar como docentes em salas de aulas, laboratórios em cursos de graduação, ministrar aulas em cursos livres e cursos técnicos profissionalizantes, obedecendo à legislação de educação.

Em Organizações de informação, documentação, estudos e pesquisas em turismo: em centros de estudos e pesquisas sobre turismo, pesquisando o setor e divulgando dados específicos do setor, nos moldes da FIPE, Observatórios de Turismo;

Mas as atividades profissionais que nos couberam na Lei 12591/2012 são quase todas na área do planejamento e gestão, não se adequando à formação do tecnólogo, que é exclusivamente operacional para atender às atividades turísticas acima já mencionadas. Vejam nossas atividades que constam no  Art.2º :

Art. 2o Consideram-se atividades do Turismólogo:

( aqui mencionadas as 18 atividades pertinentes aos Turismólogos)*

O setor de turismo é um grande gerador de postos de trabalho, como revela uma análise feita pelo Ministério do Turismo, com base em dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho e Emprego. O setor contribuiu com 6,25% dos empregos formais no ano de 2013, ou seja, cerca de três milhões de trabalhadores com carteira assinada, incluindo empregos diretos em serviços como hospedagem, alimentação, transporte, agências de viagens, aluguel de transporte, cultura e lazer. O crescimento do setor foi de 51,2% nos últimos sete anos, já que em 2006 foram computados 1,9 milhões de trabalhadores em atividades vinculadas ao turismo.

 Dados preliminares da PACET - Pesquisa Anual da Conjuntura Econômica do Turismo, realizada pelo Ministério do Turismo em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), mostram que segmentos dessa atividade, que já emprega muito, vão expandir ainda mais o seu pessoal em 2014.

 Nessa pesquisa foram ouvidos 80 executivos das maiores empresas do turismo nacional e que, no ano passado, faturaram juntas R$ 62,7 bilhões e empregaram 116 mil pessoas. De acordo com os entrevistados, o segmento de organização de eventos ampliará em 13,5% o número de empregados. O turismo receptivo, por sua vez, terá crescimento de 7,9% no ano, e o segmento de meios de hospedagem, 5,0%.

 Outro estudo recente com dados coletados em 184 países, a Pesquisa 2014 de Impacto Econômico do Turismo, feito pelo World Travel & Tourism Council (WTTC), indica que o Brasil foi a quinta maior nação em geração de empregos no ano passado. Foram verificados 3,049 milhões de postos de trabalho no período, que representaram 3,0% do total de vagas preenchidas na nossa economia.

 Porém se sobram oportunidades para o mercado de trabalho na área, faltam oportunidades para a força de trabalho qualificada no Brasil. O problema fica evidente no Relatório 2013 de Competitividade em Viagem e Turismo divulgado em março pelo Fórum Econômico Mundial. No item Oferta de Mão de Obra Qualificada, o Brasil ocupa a 96ª posição entre 140 posições possíveis.

 Friamente, analisamos que os turismólogos estão migrando para outras áreas que valorizam e remuneram melhor o profissional mais qualificado. Sabemos que o setor precisa desses profissionais de nível superior formado nas universidades privadas e públicas que até 2012 ofereciam 595 cursos de bacharelado, 450 cursos tecnológicos, 01 de licenciatura e 38 cursos sequenciais, sendo 7 mestrados acadêmicos, 2 mestrados profissionais e 4 doutorados. Mas a falta de valorização profissional e regulamentação estão dificultando as Instituições de Ensino Superior a abrirem novas turmas de norte a sul

 Vimos oportunamente nesse ato apresentar algumas proposituras:

 (aqui apresentadas 4 proposituras já mencionadas em publicação anterior) *

Assim, finalizo lembrando que poderíamos ter sidos recrutados num programa governamental específico para a Copa do Mundo 2014, mas certo de que seremos campeões na nossa luta pelo reconhecimento de fato, pois de direito já conquistamos. E que nossa regulamentação deverá atender a nossa categoria que já ultrapassa 300 mil profissionais de nível superior ávidos pelo desenvolvimento do turismo no nosso continental país de grande potencialidade turística, que precisa ser mais lapidado para se desenvolver com ética solidária, responsabilidade e sustentabilidade.

 Saudações turismólogas,

 Turº. Elzário Pereira da Silva Júnior

Presidente ABBTUR Nacional

 * Necessidade de redução desse texto para publicaçãono site

 


Autor: Elzário Pereira Júnior

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